As cidades mais caras do mundo para se viver, segundo ranking global

Vista geral de uma praia próxima ao Mar Mediterrâneo em Tel Aviv, Israel (1º de novembro de 2021)

Crédito, Reuters

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Ascensão de Tel Aviv ao topo do ranking foi atribuída principalmente à valorização crescente da moeda de Israel

Tel Aviv foi considerada a cidade mais cara do mundo para se viver, em um momento em que a inflação em alta e os problemas da cadeia de suprimentos elevam preços em todo o mundo.

A cidade israelense ficou em primeiro lugar pela primeira vez em um levantamento da Economist Intelligence Unit (EIU), braço de análise e pesquisa da revista britânica The Economist.

No ano passado, Tel Aviv estava em quinto lugar. Ao encabeçar a lista, empurrou Paris para a segunda posição, junto com Cingapura.

Damasco, na Síria, devastada pela guerra civil, foi considerada a mais barata do mundo.

Empatadas no 150º lugar junto com Katmandu (Nepal) e Surabaya (Indonésia), Rio de Janeiro e São Paulo caíram mais de 30 posições no ranking; em 2020, as duas cidades dividiam o 119º lugar. Manaus, recém adicionada à lista, ocupa o 160º lugar.

Segundo explicou à BBC News Brasil a EIU, a queda se deveu principalmente à forte desvalorização do real frente ao dólar americano.

A pesquisa compara os custos em dólares americanos de mais de 200 bens e serviços em 173 cidades.

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Segundo a EIU, os dados coletados em agosto e setembro mostraram que, em média, os preços subiram 3,5% em termos de moeda corrente — a taxa de inflação mais rápida registrada nos últimos cinco anos.

Os transportes registraram os maiores aumentos de preços, com o custo do litro da gasolina aumentando 21%, em média, nas cidades estudadas.

A ascensão de Tel Aviv ao topo do ranking 'Custo de Vida Mundial' da EIU refletiu principalmente a valorização crescente da moeda de Israel, o shekel, em relação ao dólar. Os preços locais de cerca de 10% das mercadorias também aumentaram significativamente, sobretudo alimentos.

O levantamento descobriu que Tel Aviv era a segunda cidade mais cara em álcool e transporte, a quinta em itens de higiene pessoal e a sexta em lazer.

O prefeito de Tel Aviv, Ron Huldai, alertou em uma entrevista ao jornal local Haaretz que o aumento dos preços dos imóveis — não incluídos nos cálculos da EIU — faz com que a cidade esteja caminhando para uma "explosão".

"Tel Aviv ficará cada vez mais cara, assim como todo o país está ficando mais caro", disse ele.

"O problema fundamental é que em Israel não há um centro metropolitano alternativo. Nos Estados Unidos, há Nova York, Chicago, Miami e assim por diante. No Reino Unido, há a Grande Londres, Manchester e Liverpool. Lá você pode se mudar para outra cidade se o custo de vida se tornar muito oneroso."

No ano passado, Paris, Zurique e Hong Kong compartilharam o primeiro lugar no levantamento da EIU.

Zurique e Hong Kong ficaram em quarto e quinto lugar neste ano, seguidos por Nova York, Genebra, Copenhague, Los Angeles e Osaka.

Em um momento de desvalorização do real frente ao dólar, as três cidades brasileiras avaliadas no ranking - São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus - ficaram em posições de menor destaque. As duas primeiras empataram no 150° lugar, e Manaus ficou em 160°.

Teerã, a capital iraniana, foi a cidade que mais subiu posições no ranking, saltando da 79ª para a 29ª, uma vez que a reimposição das sanções econômicas dos EUA contra o Irã vêm causando escassez de produtos e aumento dos preços.

Em contrapartida, Roma foi a que mais caiu, passando da 32ª para a 48ª posição, "com um declínio particularmente acentuado em sua cesta de compras e categorias de roupas".

Segundo a EIU, as cidades mais baratas do mundo estão no Oriente Médio, na África e nas partes mais pobres da Ásia.

Já o topo do ranking é ainda dominado por cidades europeias e desenvolvidas da Ásia, enquanto as americanas e chinesas permanecem com preços "relativamente moderados".

"No entanto, as incertezas do ano passado fazem com que não haja um padrão regional claro para movimentos no ranking", ressalva.

A EIU disse que o levantamento continua sensível às mudanças provocadas pela pandemia do coronavírus.

"Embora a maioria das economias esteja agora se recuperando com a oferta das vacinas contra a covid-19, as principais cidades do mundo ainda experimentam surtos de casos, levando a novas restrições sociais. Em muitas cidades, isso interrompeu o fornecimento de bens, levando à escassez e a preços mais altos."

"A flutuação da demanda do consumidor também influenciou os hábitos de compra, enquanto a confiança do investidor afetou as moedas, alimentando ainda mais os aumentos de preços", acrescentou.

A expectativa, segundo a EIU, é que o custo de vida aumente ainda mais em muitas cidades em 2022, enquanto as expectativas inflacionárias devem "contribuir para aumentos salariais, alimentando ainda mais os aumentos dos preços".

"No entanto, à medida que bancos centrais aumentam cautelosamente as taxas de juros para conter a inflação, os aumentos de preços devem abrandar a partir do nível deste ano. Projetamos que a inflação global de preços ao consumidor atinja em média 4,3% em 2022, ante 5,1% em 2021, mas ainda substancialmente mais alta do que nos últimos anos. Se as interrupções da cadeia de abastecimento sejam atenuadas e lockdowns, amenizados, conforme o esperado, a situação deve melhorar até o final de 2022, estabilizando o custo de moradia na maioria das grandes cidades".

As cinco cidades mais caras do mundo

  • 1 Tel Aviv
  • 2 Paris e Cingapura (juntas na 2ª posição)
  • 3 Zurique
  • 4 Hong Kong

As cinco cidades mais baratas

  • 1 Damasco
  • 2 Trípoli
  • 3 Tashkent
  • 4 Túnis
  • 5 Almaty

Fonte: EIU

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